Terça, 12 Dezembro 2017

José Álvaro: A Base de Alcântara e a natureza entreguista dos golpistas

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou, no dia 31.05, que o governo brasileiro irá ceder aos Estados Unidos o uso do Centro de Alcântara, no Maranhão, para o lançamento de foguetes ao espaço. Foi divulgado também que o governo prepara um projeto de lei visando autorizar outros países a utilizar a referida base. As negociações para o referido projeto, que tinham sido encerradas em 2003 pelo Governo Lula, foram retomadas por Serra, que foi ministro das relações exteriores neste governo. A Base de Alcântara é considerada a mais bem localizada do mundo, para o lançamento de foguetes, o que significa, dentre outras vantagens, economia de combustível. O governo, através de Serra e do embaixador do Brasil em Washington, Sérgio Amaral, já refizeram proposta de acordo para uso da base militar. A proposta enterrada pelo governo Lula em 2003, previa uma série de proibições ao Brasil, como relata a revista Carta Capital: lançar foguetes próprios da base, assinar cooperação tecnológica espacial com outras nações, apoderar-se de tecnologia norte-americana usada na base, direcionar para o desenvolvimento de satélites nacionais dinheiro obtido com a base.

A esta altura do golpe contra a democracia, parece estar claro para a maioria dos brasileiros que o governo Temer é o mais antipopular e antinacional da história da nação. Os usurpadores se aproveitam de uma crise gravíssima, mas conjuntural, para liquidar direitos históricos, obtidos em décadas de lutas. A espinha dorsal da destruição de direitos sociais e trabalhistas (Emenda Constitucional da morte (95); Terceirização sem limites; PEC 287 (destruição da Seguridade Social); Reforma trabalhista), revelou até para os mais ingênuos a natureza profundamente antipopular deste governo.

Hoje fica mais fácil para a população em geral, perceber o processo de destruição de direitos do povo em benefício dos super ricos, por ser cada vez mais palpáveis os efeitos das medidas. Mas já não é tão simples detectar a natureza subserviente e antinacional do golpe, mesmo sendo esta a sua mais completa tradução. Nunca houve governo tão entreguista e subserviente quanto este. É líquido e certo que o envolvimento do Império do Norte no golpe está relacionado ao interesse no pré-sal, o que passa pela desmontagem da Petrobrás. A imprensa noticiou recentemente, por exemplo, que as forças armadas norte-americanas irão fazer exercícios militares, inéditos, na Amazônia brasileira. O convite feito pelo Exército Brasileiro, é para ser executado na chamada tríplice fronteira amazônica, entre Brasil, Peru e Colômbia, em novembro próximo. A referida operação vem no bojo de novos acordos militares firmados entre as Forças Armadas de Brasil e Estados Unidos e visitas de autoridades americanas a instalações brasileiras com o objetivo de "reaproximar" e "estreitar" as relações militares entre os dois países.

As informações veiculadas na mídia dão um tom de normalidade ao acordo, falam em combate ao tráfico de drogas, ao terrorismo, à corrupção, temas acerca dos quais, em princípio, ninguém poderia ser contra. Mas o fato é que são crescentes os indícios de que os EUA participaram do golpe no Brasil em 2016, com o objetivo cada vez mais evidente de ter maior acesso a matérias primas, principalmente petróleo, mas também água, minerais e a biodiversidade da Amazônia. Em 2013 o governo brasileiro e a Petrobrás foram espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, sigla em inglês), que espionou inclusive mensagens da presidenta da República e seus assessores mais próximos, além da Petrobrás, claro. Fato inclusive que levou ao cancelamento de uma viagem da presidenta aos EUA, prevista para 2013. O objetivo da NSA, que agiu em parceria com a inteligência do Reino Unido, do Canadá, da Austrália e da Nova Zelândia, era buscar detalhes da comunicação da presidente com sua equipe.
Um dos aspectos de fundo da atual situação internacional, e dos acontecimentos políticos atuais na América do Sul, é o esgotamento dos recursos naturais dos Estados Unidos e Europa. Governos com algum apreço pelas soberanias dos seus países, significam um obstáculo inaceitável para os interesses dos países imperialistas. Sabe-se que após o anúncio das descobertas do Pré-sal, em 2006, os EUA imediatamente anunciaram a reativação da IV Frota da sua marinha, que é encarregada de vigiar o Atlântico Sul. O interesse dos EUA na maior descoberta de petróleo dos últimos 30 anos é fácil de entender. Mas o que está em jogo é mais do que petróleo, trata-se de soberania. Os Estados Unidos não têm interesse de um desenvolvimento autônomo e soberano do Brasil, pelo potencial que tem o país, de rivalizar com os objetivos estratégicos dos EUA na Região. A articulação do Brasil nos BRICS ameaça ainda mais os interesses dos EUA, pela articulação do país com os principais rivais dos EUA na luta pela hegemonia mundial (China e Rússia). Processos como Unasul e CELAC confrontavam os EUA no hemisfério, e novas instituições, como o Banco dos BRICS e o Acordo Contingente de Reservas dos BRICS ajudavam a construir alternativas contra hegemônicas ao Banco Mundial e o FMI, instituições sobre as quais os EUA tem um controle quase absoluto.

Além do aspecto de apropriação das riquezas naturais do Brasil, o golpe tem um forte componente geopolítico, de impedir que o país se torne uma potência regional, com tecnologia, indústria desenvolvida, mercado consumidor amplo e soberania energética. O governo golpista, neste ano, retomou com os Estados Unidos, em segredo, negociações para um acordo sobre o uso de uma base militar brasileira no Maranhão visando o lançamento de foguetes norte-americanos. Essas negociações, que tinham sido encerradas em 2003, foram retomadas por Serra, ex-ministro das relações exteriores, que prometeu à Chevron desmanchar a Lei de Partilha. A Base de Alcântara é considerada a mais bem localizada do mundo, para o lançamento de foguetes, o que significa, dentre outras vantagens, economia de combustível.

Os responsáveis pela operação Lava Jato permitem o acesso a órgãos do Estado norte-americano, a informações sigilosas, que são utilizadas para atacar e processar judicialmente a Petrobrás e outras empresas brasileiras. Com polpudos salários pagos pelo povo brasileiro, atuam com órgãos dos Estados Unidos, sem qualquer constrangimento contra empresas brasileiras. Atacando inclusive, a indústria a Eletronuclear, com a prisão do seu mentor e líder maior.

Os EUA sabem da importância estratégica do Brasil para a geopolítica na América do Sul, algo quase natural em função das magnitudes de sua economia, população e território. Ocorre que aquele país imperialista não admite divergências com sua política internacional, principalmente nessa região. O criador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou recentemente que o Brasil é, na América do Sul o país mais espionado pelos EUA. E isto por duas razões principais, segundo Assange: trata-se da maior economia da América Latina, e que fez recentemente a maior descoberta de petróleo do milênio. Na referida entrevista Assange lembra que, conforme a publicações do Wikileaks, feitas desde 2006, o golpe está sendo construído há muito tempo. Afirmou que, no caso da Petrobrás e do tratamento dado ao Petróleo, a questão que está colocada é que tipo de Estado o Brasil quer ser. Um Estado forte, ou fraco, com seus recursos naturais dominados por grandes petrolíferas estrangeiras e multinacionais. Sobre isso, os golpistas já se definiram há muito tempo.


José Álvaro de Lima Cardoso é economista e supervisor técnico do Dieese em Santa Catarina

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